SAF – Sustainable Aviation Fuel: Embarque Imediato

Representando a solução mais promissora para descarbonização do setor aéreo mundial, o SAF – Sustainable Aviation Fuel, pode ser produzido pelo Co-Processamento da Biomassa e também a partir de hidrogênio renovável e dióxido de carbono (CO₂). Este combustível, oferece uma alternativa drop-in aos combustíveis fósseis tradicionais, sem a necessidade de modificações significativas nas aeronaves ou na infraestrutura aeroportuária existente.

Projetos em desenvolvimento no Brasil, Europa, EUA e Ásia, impulsionam o mercado global de SAF com expectativa de crescimento exponencial, impulsionado principalmente pela necessidade de reduzir as emissões de CO₂ na aviação, que representa cerca de 3,0 % das emissões globais anuais. Na União Europeia (UE), os mandatos regulatórios são o principal motor.

De acordo com a iniciativa ReFuelEU Aviation , que entrou em vigor em janeiro de 2025, os fornecedores de combustível para aviação devem incorporar 1,2% de SAF nos combustíveis fornecidos aos aeroportos da UE até 2030, aumentando gradualmente para 35% até 2050.

Essa progressão inclui submandatos específicos para e-fuels baseados em hidrogênio renovável, como 0,7% em 2030, potencialmente chegando a 2%. Esses requisitos criam uma demanda obrigatória, estimulando investimentos em produção e incentivando companhias aéreas a adotarem SAF para cumprir metas de redução de emissões.

Empresas como Norwegian, Cargolux, British Airways, Iberia, EasyJet e SAS estão na vanguarda, e assinando acordos de compra de longo prazo para SAF sintético para mitigar riscos regulatórios e melhorar sua imagem ambiental.

Com este movimento, estas empresas buscam reduzir suas emissões de CO₂ em até 80-90% usando e-SAF, que emite significativamente menos carbono ao longo do ciclo de vida em comparação com o querosene fóssil.

Projetos em Desenvolvimento no Brasil:

Com uma vasta base de biomassa renovável (cana-de-açúcar, óleos vegetais, resíduos agrícolas e macaúba), um histórico de sucesso em políticas governamentais que impulsionaram a indústria de biocombustíveis, como o Etanol e Biodiesel, colocam o Brasil como grande protagonista neste mercado.

Apesar do Programa Nacional de Combustível de Aviação Sustentável (ProBioQAV), criado em 2023, ter foco inicial em rotas bio-baseadas como Alcohol-to-Jet e HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids), os projetos de e-SAF (sintético, via hidrogênio renovável + CO₂ capturado) começam a ganhar tração com o aumento da maturidade dos Hub´s de Hidrogênio no Brasil.

A Petrobras, já iniciou a produção de SAF no Brasil, atendendo todos os rigorosos critérios de certificações internacionais da ICAO (International Civil Aviation Organization).

A primeira entrega ocorreu, em dezembro de 2025, com um volume de 3,0 Mil m³ foi comercializado com distribuidoras de combustíveis de aviação que operam no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão – RJ). 

Raízen e Acelen também apostam na produção nacional de SAF, sendo que o Projeto da Raízen está focado na rota Alcohol-to-Jet e o Projeto da Acelen prioriza o óleo de Macaúba na rota HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids).

Projetos em Desenvolvimento na Europa:

Atualmente, a Europa abriga alguns projetos inovadores de produção de SAF usando hidrogênio renovável e CO₂ capturado, com destaque para iniciativas que combinam tecnologia avançada e parcerias estratégicas com empresas de diversos setores industriais.

Vale o destaque para a Norsk e-Fuel, uma empresa norueguesa especializada em e-fuels, que está desenvolvendo múltiplos projetos na Europa para produzir SAF sintético.

Seu plano ambicioso inclui três plantas industriais com capacidade total de 250 milhões de litros de e-fuel até 2030, com foco em e-kerosene (até 80% da produção) e e-nafta para a indústria química.

Entre os principais projetos da Norsk e-Fuel, cabe destaque para o Projeto Alby, localizado no norte da Suécia, em parceria com a Prime Capital-AG e a RES (Renewable Energy Systems). Essa instalação visa produzir pelo menos 80.000 toneladas de combustível sintético por ano.

Outro projeto chave está localizado na Finlândia, com capacidade para 100 milhões de litros anuais de e-SAF, em colaboração com a Outokumpu para capturar CO₂ de emissões industriais, permitindo uma redução de 200.000 toneladas de emissões diretas.

Projetos em Desenvolvimento nos EUA:

Indo para os EUA, a Twelve startup baseada na Califórnia, desenvolve projetos de SAF visando fornecer 260 milhões de galões de SAF para companhias como a United Airlines em contratos de longo prazo.

A empresa da Califórnia também olha para o mercado externo, incluindo potenciais colaborações na Europa para atender à demanda regulatória da UE. Um exemplo é seu acordo com a World Fuel para avançar na produção de SAF, que foi recomendado para financiamento pelo European Hydrogen Bank (EHB).

Outro projeto relevante nos EUA é da LanzaJet, uma empresa dos EUA focada na produção em larga escala de SAF utilizando tecnologia Alcohol-to-Jet . A Mitsui & Co. é investidora do projeto e construindo um projeto de demonstração na Geórgia.

Projetos em Desenvolvimento na Ásia:

O Mercado de Sustainable Aviation Fuel (SAF) na Ásia está em acelerada expansão, impulsionado pelo início dos mandatos regulatórios emergentes e abundância de feedstocks agrícolas.

Diferente da Europa, onde os mandatos são mais rigorosos e focados em e-SAF (baseado em hidrogênio renovável e CO₂ capturado), a Ásia prioriza inicialmente rotas bio-baseadas como a tecnologia Alcohol-to-Jet e HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids)

Em Singapura, a definição de um mandato de 1,0 % de SAF em todos os voos a partir de 2026 (com levy sobre passageiros para financiar), podendo subir para 3,0 a 5,0 % até 2030, impulsionou o mercado neste grande centro econômico da Ásia.

O Projeto da Refinaria da Neste, o maior Hub de Produção da região, está operando em escala comercial desde 2023, produzindo até 1,0 milhão de toneladas/ano a partir de UCO e gorduras animais.

A Coréia do Sul, onde também se adotou mandato obrigatório de 1,0% de SAF, em voos internacionais a partir de 2027, empresas como SK Energy, HD Hyundai Oilbank e S-Oil  que já produzem SAF co-processado buscam a expansão de suas operações.

O Japão, segue nesta corrida com projetos pilotos de e-fuels sintéticos por grandes empresas energéticas, preparando mandato de adoção de SAF para os próximos anos.

A China, por meio da estatal China Energy Engineering Group constrói planta de 100.000 toneladas/ano de e-SAF com investimentos US$ 850 milhões, usando hidrogênio renovável produzido com fontes eólica e biomassa.

Visão Otimista para o Médio Prazo:

Na Europa, a indústria de SAF baseada em hidrogênio renovável caminha para consolidação, gerando diversas oportunidades para investidores, produtores e usuários finais. Estes avanços estão apoiados, principalmente nos desenvolvimentos tecnológicos que reduzem custos em até 50% até 2030 e mandatos regulatórios impositivos que garantem demanda firme.

A Ásia, tem um direcionamento para o Bio-SAF dada sua oferta de feedstocks agrícolas e investimentos em produção local e exportação. A região deseja se tornar um hub global de exportação para Europa e outros mercados, especialmente com a demanda asiática interna ainda limitada por mandatos iniciais modestos.

Os EUA, busca um caminho híbrido, com projetos de SAF usando rotas sintéticas e biológicas e, diferentemente da Europa, não contam com mandatos obrigatórios de SAF, mas sim com estímulos que atraem investimentos privados massivos.

Já o Brasil, deu passos concretos: a produção nacional começou via co-processamento em refinarias, com entregas iniciais, como o recente anúncio pela Petrobrás.

O grande diferencial Brasileiro, e fator chave para colocar o nosso país em posição de protagonismo global é a possibilidade de explorarmos, em sua plenitude, as rotas tecnológicas mais consolidadas atualmente.

Com uma agroindústria nacional fortalecida, experiência bem sucedida na produção de biocombustíveis como Ethanol e Biodiesel, o há espaço para produção pela Rota bio-baseadas como Alcohol-to-Jet e HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids).

À medida em que a Indústria de Hidrogênio Renovável começa a ganhar escala é altamente provável que vejamos surgir primeiros projetos de e-SAF Sintético (via hidrogênio renovável + CO₂ capturado).

Com parcerias globais se fortalecendo, o Brasil se destacará como pilar central da indústria de SAF, prometendo um céu mais limpo e sustentável para as gerações futuras.

Fonte da Imagem de Capa do Artigo: Divulgação Rolls-Royce, marketing e comunicação com a mídia


Acompanhe os próximos posts neste Blog para manter-se informado sobre este mercado !

Elaborado por Frederico Freitas


O conteúdo aqui postado é apenas para fins informativos e compartilhamento de conhecimento profissional. Se busca informações para desenvolver projetos de sustentabilidade energética ou de qualquer outra natureza, é indispensável a contratação de profissionais habilitados capazes de entender pontos específicos do seu projeto e propor a solução adequada.


Frederico Freitas

Estrategista em Transição Energética

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Newsletter

Cadastre-se em nossa Newsletter. Ao clicar em "Assinar" você estará de acordo com nossa política de privacidade.

Assinatura realizada com sucesso! Ops! Algo deu errado. Por favor, tente novamente.
Edit Template

About

Rotas do Hidrogênio ® é uma Marca Registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

 

 
 
 

Newsletter

Cadastre-se em nossa Newsletter. Ao clicar em "Assinar" você estará de acordo com nossa política de privacidade.

Assinatura realizada com sucesso! Ops! Algo deu errado. Por favor, tente novamente.

Nossas redes