A quarta versão do UK Low Carbon Hydrogen Standard (LCHS), lançada em janeiro de 2026, o Reino Unido atualiza seu padrão regulatório, criando mecanismos para assegurar a Neutralidade Tecnológica para a produção do Hidrogênio Renovável.
Documento representa um marco importante, não apenas para o Reino Unido, mas para o mundo todo, ao definir critérios rigorosos para a produção de hidrogênio com baixa emissão de carbono preservando a diversidade de rotas tecnológicas disponíveis atualmente.
Com base em lições aprendidas de rodadas anteriores de alocação de hidrogênio e feedbacks de stakeholders, essa versão introduz simplificações, como processos mais ágeis para classificar gases de refinaria e a possibilidade de sourcing de biometano da rede de gás.
O destaque consolida o compromisso do Reino Unido com a neutralidade tecnológica, que ecoa estratégias adotadas por países como o Brasil – uma abordagem que, inicialmente criticada por alguns, tem se provado cada vez mais assertiva com o passar do tempo.
De acordo com o documento, as rotas elegíveis não garantem automaticamente a conformidade – as instalações precisam ser projetadas e operadas de forma a atender aos limiares de intensidade de emissões de GEE.
Além disso, o padrão abre portas para inovações: stakeholders podem propor novas rotas (ou usos para carbono sólido) enviando evidências ao Departamento de Segurança Energética e Net Zero, incluindo cálculos de intensidade de emissões sob diferentes cenários.
Isso reforça a flexibilidade do framework, permitindo que o uso de rotas produtivas já conhecidas sem impedir que padrão evolua e/ou adote novas alternativas produtivas com o avanço tecnológico.
Dentre as rotas tecnológicas conhecidas, o documento faz referência direta aos seguintes processos:
Eletrólise: Processo que usa eletricidade para dividir a água em hidrogênio e oxigênio. Inclui tecnologias como alcalina (ALK), membrana de eletrólito polimérico (PEM) e óxido sólido (SOEC). Os produtos são purificados, secos e comprimidos. Pode usar eletricidade de fontes renováveis ou nucleares, com variações em insumos como água desionizada e químicos para purificação.
Reforma de Gás Fóssil com CCS (SMR + CCS): Envolve tecnologias como reforma a vapor de metano (SMR), reforma autotérmica (ATR) e oxidação parcial (POX), usando gases fósseis como gás natural. O processo gera hidrogênio e CO₂, que é capturado, seco e comprimido para armazenamento. O CCS é essencial para reduzir emissões.
Reforma de Gás Biogênico: Similar à reforma de gás fóssil, mas usa gases biogênicos, como biometano produzido por digestão anaeróbica de biomassa. Pode ou não requerer CCS para atender aos limiares de emissões. Inclui etapas upstream como cultivo, colheita e upgrading do biogás.
Gaseificação de Biomassa: Tecnologias que quebram biomassa em syngas (mistura de hidrogênio, monóxido de carbono e hidrocarbonetos) usando calor e oxigênio limitado. Segue-se uma reação de shift para produzir hidrogênio e CO₂. CCS pode ser integrado, com métodos como solventes químicos ou adsorção por oscilação de pressão.
Gaseificação de Resíduos: Análoga à gasificação de biomassa, mas com resíduos (biogênicos, fósseis ou mistos) como matéria-prima. Inclui pré-tratamento e pode envolver CCS. Útil para valorizar resíduos industriais ou municipais.
Separação de Gases Produzindo Carbono Sólido: Tecnologias inovadoras como pirólise térmica, catalítica ou plasma para dividir gases (como gás natural fóssil, biometano ou resíduos gasosos) em hidrogênio e carbono sólido (ex.: carbono negro, grafite ou grafeno). O carbono sólido pode ser sequestrado em usos elegíveis, como asfalto. Pode incluir combustão de combustíveis fósseis com CCS para aquecimento.
Não há dúvidas, de que há um claro alinhamento da norma Britânica com a posição adotada pelo Brasil em sua Política Nacional do Hidrogênio (PNH2) e na Lei 14.948 de 2024 que Institui o marco legal do hidrogênio de baixa emissão de carbono no Brasil.
Inicialmente, a abordagem brasileira – que prioriza a neutralidade tecnológica, permitindo rotas variadas como eletrólise, reforma com CCS e uso de biomassa – foi criticada por alguns players internacionais, que defendiam um foco exclusivo em hidrogênio “verde” (via eletrólise renovável).
Para o Brasil, isso é uma validação: nossa estratégia, outrora questionada, está se provando visionária.
O tempo e a evolução natural do mercado tem mostrado de que a Neutralidade Tecnológica é a estratégia mais assertiva, por acelerar a adoção do hidrogênio, otimizar o uso de infraestruturas existentes, como a indústria de óleo e gás, manter parâmetros de baixa emissão de carbono permitindo, inclusive, uma transição para opções mais sustentáveis de acordo com o avanço tecnológico.
A União Europeia que se movimenta para revisões em seus regulamentos, está se aproximando dessa visão. Em recente publicação da Hydrogen Europe, entidade que representa grandes players da Indústria do Hidrogênio Renovável no velho continente, apelou à Comissão Europeia para revisar os regulamentos europeus no sentido de adotar uma abordagem mais pragmática e tecnologicamente neutra para permitir uma produção de hidrogênio competitiva em termos de custos.
A Neutralidade Tecnológica não privilegia uma tecnologia sobre outra; em vez disso, enfatiza o desempenho ambiental mensurável. Isso é evidente na abertura para adicionar novas rotas no futuro, garantindo que inovações não sejam barradas por rigidez regulatória.
De forma objetiva, percebemos que o avanço da Indústria do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, terá sua consolidação global à medida em que países e blocos econômicos passem a adotar regulamentações maduras e adaptáveis.
Ao permitir a diversidade de rotas elegíveis e manter o espaço aberto para futuras inovações tecnológicas, o regulador equilibra tecnologias, ambição ambiental e pragmatismo econômico.
No Brasil, com nossos vastos recursos em energias renováveis, biomassa, biocombustíveis e potencial para CCS em reservatórios geológicos, essa abordagem de Neutralidade Tecnológica, tem o potencial de posicionar nosso país como líder global desta nova indústria.
Fica evidenciado, de forma inequívoca de que os regulamentos para a Indústria do Hidrogênio Renovável devem priorizar resultados (baixas emissões) sobre métodos específicos, sendo este o futuro da Economia de Baixo Carbono.
Acesse os documentos nos seguintes links:
UK Low Carbon Hydrogen Standard, version 4, January 2026
UK Low Carbon Hydrogen Standard, data annex, January 2026
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Elaborado por Frederico Freitas
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